7 de julho de 2009

Não se troca liberdade por igualdade

Fiz um comentário lá no blog sobre o texto abaixo. Reproduzo aqui uma adaptação com menos referências aos textos dos outros comentários lá do blog:

Em minha opinião não é possível um equilíbrio entre coletivismo e individualismo. Já manifestei isso em outras postagens. Na verdade, toda preocupação com o coletivo deve ser nominalista. Ou seja, nunca se deve tomar o conjunto como algo diferente da soma de suas partes. Por isso o individualismo é sempre moralmente mais interessante do que qualquer forma de coletivismo.
Na minha concepção, todo coletivismo é totalitário, e termina se transformando em proteção de interesses de certos indivíduos. Quando esse coletivismo é utópico, tudo vale a pena para realizar a utopia, e nenhum individuo pode impedir essa realização. Daí a justificação da morte e do terror.
Não posso deixar de concordar com o texto abaixo, exatamente porque ele faz uma escolha clara. Entre a liberdade individual e a igualdade material, também fico com a primeira. Em primeiro lugar porque está provado que fora de uma democracia liberal não há igualdade material. Em segundo lugar porque a própria igualdade material não é bem vinda, já que deixa de lado as diferenças entre indivíduos, colocando no mesmo patamar potencialidades diferentes.
Somente depois dessa escolha é que poderemos discutir sobre a intensidade da atuação estatal, sobre a melhor forma de regular o mercado, sobre o nível de proteção social que o estado deve propiciar aos cidadãos. Somente depois de escolher a liberdade podemos gostar mais dos EUA ou da Noruega. Isso se dá porque os males do capitalismo podem ser resolvidos dentro do próprio sistema. Enquanto isso, os males do socialismo não podem ser resolvidos, pois são intrínsecos a qualquer utopia totalitária.
Ademais, sobre Marx e o marxismo, eu vou além. Não tenho a menor dúvida em atribuir ao pensamento marxista as mortes provocadas por seus seguidores mais fiéis. É óbvio que se pode estudar Marx em outras perspectivas, dada a complexidade e a importância de sua obra. Mas a parte “construtiva” de sua obra é uma teoria política nefasta, notadamente no seu aspecto mais ligado à revolução. Ninguém pode pregar uma ditadura do proletariado e depois dizer que seu pensamento não tem nenhuma relação com assassinatos em massa. Quando leio a Ideologia Alemã, identifico no marxismo a raiz de todos os males causados pelo socialismo real. Depois que se escolhe a ditadura em detrimento da democracia, as conseqüências não podem mais ser medidas.

14 comentários:

Mário disse...

Adrualdo, alguém já falou que o comunismo foi um belo sonho que resultou num crime. Talvez por esse aspecto utópico, sonhador, ainda exista certa tolerância em relação a ideologia mais assassina da história da humanidade. Talvez por seu "humanismo" (pelo menos em tese), ainda se dê atenção ao discurso comunista. Para mim, a foice e o martelo é um símbolo tão execrável quanto a suástica.

O morticínio provocado pelo socialismo real não tem paralelo na história humana. E o pior é que os partidários dessa ideologia ainda hoje escamoteiam esse passado nefasto por meio de belas parábolas e poesia coletivistas. É por meio desse discurso utópico que muitos jovens ainda hoje se deixam engabelar pelas falácias do marxismo-leninismo.

E a pior falácia de todas é essa que diz que Marx nada tem a ver com o ocorrido.

Liberdade e o indivíduo acima de tudo. Foi isso que gerou prosperidade, riqueza, mundo afora.

Dá uma olhada nessa entrevista do Milton Friedman (não sei se vc já conhece. Está dividia em 3 partes.), acho que vc vai achar interessante. Abraço!

http://www.youtube.com/watch?v=-k6PBWi3OlM&feature=PlayList&p=857F485EFF249EB9&playnext=1&playnext_from=PL&index=31

Thiago Pacífico disse...

Caro Adrualdo, a metodologia do seu texto já começa derrubando qualquer forma de construção de um debate em torno desse tema.

Não sei nem por onde começar dado a quantidade de ideias que eu julgo equivocadas.

1º) O título já sugere que qualquer forma de sociabilidade que busque a igualdade, redundará na eliminação das liberdades. Isso não é verdade! Concordo que o dito "socialismo real", predominantemente, tolheu as liberdades individuais. Ocorre que qualquer debate que visa a discutir uma forma avançada de sociabilidade tendo por base as experiências históricas soviética, norte-coreana, cubanas etc, conduzirá à sua completa negação, sem qualquer esforço intelectivo. Da mesma forma, se fôssemos discutir o capitalismo tendo por base os regimes absolutistas e totalitários europeus, além das ditaduras militares na américa latina, conduziria ao mesmo erro.

2º) O que se chama de socialismo/comunismo, não é algo advindo de um sonho, desejo ou anseio das pessoas. O socialismo é, antes de tudo, uma real possibilidade histórica condicionada à realização de determinados fatores históricos por determinados sujeitos históricos.

3º) Não há condições aqui de analisar o processo histórico e quais bases materiais são necessárias para tanto, mas uma coisa é certa: o socialismo terá uma forma mais avançada de liberdade. NÃO HÁ como haver socialismo com o retrocesso das liberdade já alcançadas. No caso, como as bases materiais de produção de riquezas estão enormemente aperfeiçoadas, há condições de a própria humanidade direcionar o processo produtivo segundo as suas necessidades, sendo desnecessária a predominância do capital na mola do impulsionamento econômico.

4º) Não é próprio do socialismo o estabelecimento de um mesmo patamar entre pessoas diferentes. Como havia dito, todos participarão do processo produtivo e dirigirão à produção para as suas necessidades.Isso não significa que o socialismo é utópico. Não vamos ser ingênuos: no socialismo ainda haverão problemas, no entanto, pela própria estrutura social, eles serão resolvidos de uma forma mais eficaz pela próprio avanço dessa forma de liberdade.

5º) Uma última reflexão: "Isso se dá porque os males do capitalismo podem ser resolvidos dentro do próprio sistema". Seria possível TODAS as pessoas no mundo desfrutarem de uma modo de vida exigido pelo mercado? Seria possível todos os países serem desenvolvidos e ricos, nos mesmos moldes dos países centrais?

Mário disse...

Para o Thiago Pacífico. Segue um trecho da resenha do livro A Sociedade Aberta e Seus Inimigos (Karl Popper) feita pelo economista Rodrigo Constantino:

“Não é possível discutir racionalmente com alguém que prefere matar-nos a ser convencido pelos nossos argumentos.” ___ Karl Popper

"O filósofo Bertrand Russell definiu a obra-prima de Sir Karl Popper, A Sociedade Aberta e Seus Inimigos, como “um trabalho cuja importância é de primeira linha e que deve ser largamente lido por sua crítica de mestre aos inimigos da democracia, antigos e modernos”. O livro faz um ataque contundente a Platão, assim como uma análise mortal de Hegel e Marx. Creio que um dos grandes valores do livro é levar o debate político para a divisão entre coletivistas e individualistas, ao invés de esquerda e direita. Popper combate duramente os autoritários coletivistas, independente do espectro político. Seu foco é a transição da sociedade tribal, ou sociedade fechada, para uma sociedade aberta. Na primeira, há uma submissão às forças mágicas, enquanto a última “põe em liberdade as faculdades críticas do homem”.

Um dos maiores inimigos da sociedade aberta é o historicismo. Para Popper, “o futuro depende de nós mesmos, e nós não dependemos de qualquer necessidade histórica”. Os historicistas, ao contrário, acreditam ter descoberto leis históricas que permitem profecias sobre o curso dos acontecimentos históricos. Os homens não seriam donos do próprio destino, segundo esses pensadores. Esta postura alivia os homens do ônus de suas responsabilidades, pois não importa o que façam, o futuro já está definido. Como exemplo está a doutrina do “povo escolhido”, ou o determinismo econômico de Marx. A doutrina historicista costuma ser profética, conduzindo à rejeição da aplicabilidade da ciência e da razão aos problemas da vida social. Em última instância, é a doutrina do poder, da dominação e da submissão."

Thiago Pacífico disse...

Caro Mário, individualistas ou coletivistas, de esquerda ou de direita... nada importa, o que eu estou falando aqui é que uma superação do atual modelo econômico jamais poderá ser autoritário.

Coisa diferente é sobre o último parágrafo: concordo totalmente que o homem não é vítima da história, pelo contrário, ele é o sujeito dela. É justamente por isso que uma possível revolução ocorrerá pela atuação consciente de alguns sujeitos históricos, o que não significa que será expontâneo, pelo contrário, provavelmente haverá o uso da força, assim como ocorreu na Revolução Francesa.

Lembrando que o uso da força em nada tem a ver com um sistema autoritário.

Concluindo: o socialismo virá (talvez) pela atuação política consciente de alguns sujeitos, provavelmente com o uso da força, com o fim de construir uma sociedade com um nível de liberdade maior do que o existente hoje.

Adrualdo Catão disse...

Thiago, o fato de você assumir a vertente violenta do marxismo me deixa mais tranquilo. Afinal, é isso que eu defendo sempre e sou sempre muito atacado por alguns.
Lembre-se, todavia, que uma teoria revolucionária pressupõe a continuidade da revolução. Depois da tomada de poder, a revolução continua.
Aliás, todo esse discurso já foi implementado com sucesso nos países ditos socialistas e deu no que deu. Sucesso para o terror, é claro.
Eu não prego que o mundo é perfeito com a democracia liberal. Só digo que o regime de liberdades individuais e direitos fundamentais é o melhor que nós temos a oferecer.
Quando você faz referência à Revolução Francesa, esquece que foi justamente a esquerda quem perpetrou o terror e a revolução. Você sabe o que isso causou: uma nova tirania. Se é para falar em revolução com ideais liberais, prefiro a americana.
Abraços.

Mário disse...

Thiago, vc apenas confirma o dogmatismo do historicismo marxista através das suas colocações. Vc coloca que para haver mudança no sistema econômico e/ou político tem de haver uma revolução (nos moldes marxistas, preferivelmente, já que na sua concepção - e é apenas aí que tal coisa existe, não no mundo real - o socialismo seria uma regime de liberdade plena, o que é só mais um dogma não comprovado pelos exemplos históricos). E uma das grandes falácias para sustentar esse ponto de vista é dizer que a Revolução Francesa é o exemplo dessa "lei" da revolução necessária às mudanças de sistema econômico. É dito que isto está na raiz da revolução de 1789. Ora, mas o que dizer da Inglaterra, então? Foi lá que se estabeleceu outra revolução, com mudança radical das formas de produção, com modificação da dinâmica da economia através do emprego de novas tecnologias. Havia, óbvio, um ambiente político favorável a que tal coisa ocorresse. Pois bem, a revolução industrial e o desenvolvimento do capitalismo se deu sem que se precisasse cortar algumas milhares ou milhões de cabeças. O mesmo, como citou o Adrualdo, ocorreu nos Estados Unidos. A revolução americana, lembre-se, era sobretudo uma guerra por independência política e autonomia. É claro que a motivação foram os ideais libertários e democráticos que ainda estão presentes como princípios basilares daquele país, que é de fato uma federação de estados, diferente da realidade da federação brasileira, por exemplo. Só a simpatia das esquerdas e seu gosto por sangue - como aliás ficou evidente na sua explanação - justifica a exaltação da importância histórica da revolução da França para além da justa medida, e o quase que total esquecimento da revolução americana e dos princípios que a nortearam. Substima-se o papel dos americanos da criação e definição de um modelo cujos princípios deram o norte para a construção das democracias modernas. A diferença é que os líderes franceses queriam reformar o mundo, fazer dele "um lugar melhor", enquanto os americanos queriam apenas o direito à liberdade de tocar suas próprias vidas, sem a pretensão de reformar o mundo, a cultura e os valores de uma sociedade. E é nesse sentido que o termo revolução pode ser aplicado ao que se deu na França, mas se ele também pode aplicar-se aos EUA, só será com restrições. Em suma, o espírito revolucionário é o espírito de um crente fanático, cujas motivações, conscientes ou inconscientes, boas ou nefastas, o impelem no sentindo da construção dum mundo perfeito. E o que importa os fatos para quem já vive na convicção de que o outro mundo possível está logo ali, quase ao alcance da mão, bastando para alcança-lo uma pilha de cabeças decepadas.

Thiago Pacífico disse...

Adrualdo: a violência ou a paz não é vertente alguma do marxismo: o uso da violência é uma questão de como se procederá a história. A tomada do poder pela força existe desde que o homem é homem. Cabeças foram cortadas e vários povos foram dizimados durante o processo revolucionário burguês. Ah, mas isso não foi violento né? Foi justo! Quanto ao capitalismo, concordo com você: ele o estágio mais avançado que chegamos até agora, cujo nível de liberdade é o mais sofisticados etc etc. Só que a história não para, tanto é que hoje podemos dizer que o capitalismo criou as condições para o socialismo existir, que não tem nada a ver, como você faz crer, com o que aconteceu na antiga URSS, China, Cuba etc. Por fim, no que toca à democracia americana, eu, com absoluta certeza, desistiria de tudo que defendo se TODOS os países do mundo tivessem a mesma democracia que lá tem. Ocorre que a liberdade americana é sustentada pelas ditaduras do Oriente Médio, da Africa Subsaariana e da América Central. É a santa democracia americana que financia as mais de 40 guerras que hoje existem no mundo. Aí voltamos ao "terror" dos comunistas, já que as guerras CAPITALISTAS hoje contabilizam um número infinitamente maior de mortes na defesa da liberdade econômica.

Mário: Não, eu não disse que tem que haver revolução pra ter mudanças, pelo contrário, para que haja revolução é imprescindível a conquista de direitos políticos e sociais, tais como os conquistados no liberalismo. No mais meu amigo, se você acha que não houve violência nas revoluções burguesas e que o termo REVOLUÇÃO se deu na França meramente pela "ideia" de um mundo melhor, não há conversa entre nós.

Mário disse...

Thiago, não há conversa entre nós só por um motivo. Eu me baseio em fatos, vc em lendas (outra palavra seria mais adequada). Sinceramente, pensei que você tivesse alguma leitura, algum conhecimento. Desculpe se pareço desrespeitoso, não é isso, é apenas uma constatação que faço por conta do seus "argumentos". Por exemplo, você diz que as "guerras capitalistas" (o que diabos é uma guerra "capitalista"?) contabilizem um número infinitamente maior de mortos do que as revoluções? De tal conjunto de disparates só podemos deduzir três coisas, ou você ignora completamente o que foi o socialismo real, ou não quer saber o que foi, preferindo ficar na ilusão, e a terceira (que também pode incluir a segunda alternativa), você está simplesmente mentindo. Quer que eu prove? As duas grandes guerras mundiais (acho que entram no seu critério de "guerra capitalista")ceifaram as vidas de cerca de 90 milhões de pessoas. Os comunistas, de 1917 a 1989, mataram 100 milhões! E isso, Thiago, em sua maioria em tempos de paz! Gente que foi morta pelo próprio governo, fuzilada, de exaustão ou de fome. Mao matou 65 milhões de chineses, Stalin, 20 milhões de russos, Fidel é responsável pela morte de 100 mil cubanos. Cite alguma democracia que tenha feito tal coisa, por favor. Você conhece a palavra Holomodor? É mais uma coisinha que você ignora,não? Pesquise, veja as fotos, e me diga se você já viu acontecer algo semelhante por aqui, apesar de todas os nossos problemas.Você já viu canibalismo generalizado no Brasil, Thiago? E aconteceu o mesmo na China de Mao. Já ouviu falar de Pol Pot? Dos campos da morte? Já viu as fotos com as pilhas de crânios? Já leu alguma coisa sobre os Gulags? Ah, já sei, o socialismo real foi um acidente. Como é mesmo que vcs gostam de dizer? "As condições ainda não eram aquelas apropriadas para o surgimento do comunismo". Sei, aí vocês acham que merecem uma segunda chance, não é? Cem milhões de cadáveres é coisinha pouca, preço pequeno a pagar pelo paraíso (paraíso pra quem, exatamente?).

Mário disse...

É por essas e outras coisas, que você ignora ou desconsidera por motivos ideológicos, que não pode mesmo ter conversa entre nós. Conversa só dá para ter com quem quer conhecer os fatos e tirar conclusões a partir deles. Não sei se você já leu alguma coisa de Albert Camus, escritor e ensaísta francês (nasceu na Argélia, é verdade). Ele foi do partido comunista. Mas deixou isso para lá. O diálogo que reproduzo abaixo entre Camus e seu amigo Tar, resume qual essência das ideologias revolucionárias (que é, sim, reformular o mundo.), particularmente, o marxismo. Fala um ex-militante:

" - Você agora é marxista?

- Sim.

- Então será um assassino.

- Já o fui.

- Eu também. Mas não quero mais.

- E você foi meu padrinho.

Era verdade.

- Ouça, Tar.

- O problema é o seguinte: aconteça o que acontecer, sempre o defenderei contra os fuzis da execução. Mas você será obrigado a aprovar que me fuzilem. Reflita sobre isso.

- Refletirei. "

Mário disse...

Ah, Thiago, mais uma coisa. É que vc também parece não perceber outro aspecto comum ao movimento revolucionário a partir da revolução francesa (ou mesmo antes dela). Quando eu falo em "mundo melhor" na verdade faço referência à pretensão, por parte dos revolucionários, de quem comanda o movimento, de quem estabelece, digamos assim, o "corpo teórico", as diretrizes que determinam as ações. E essa pretensão, marca destes movimentos que se arvoram guiados pela "razão" ou por leis "científicas", é a de que seus próceres conhecem bem as causas dos problemas de uma sociedade, bem como o modo de resolve-los, o que se dará, invariavelmente, pela reforma radical dessa mesma sociedade. É inegável o caráter e a pretensão reformadora da revolução francesa, assim como daquelas de cunho marxista. Essa característica é deixada de lado por aqueles que, como você, seguindo Marx, apostam no reducionismo econômico. Tudo passa a ser uma questão dialética, onde duas classes com interesses antagônicos se batem para gerar, num processo necessariamente violento, uma nova síntese. A aplicação desse método filosófico no mundo real, seja na natureza (ridícula pretensão de Engels), seja na análise de fenômenos sociais, é estranha, para dizer o mínimo. Mas, voltando a questão das pretensões revolucionárias em "refundar o mundo" inaugurando novo céu, nova terra e novo homem se baseia em premissas falsas. Uma delas é que os líderes revolucinários entendem profundamente o mecanismo que mantém a civilização, bem como a maneira de reparar esse mecanismo defeituoso, fazendo os ajustes necessário em prol de um mundo mais justo e igualitário (e, portanto, melhor). Ora, na revolução da França a pretensão reformista chegou ao ponto de mudar o calendário e implementar o projeto de banimento do cristianismo da sociedade francesa. Novos "deuses" foram criados, a "deusa razão", o "ser supremo". E Marat foi pintado em imagens e adorado como santo mártir da revolução. Não por acaso, seja na França ou no leste europeu, os governos revolucionários instituíram a censura a publicações. Robespierre acabou com a censura na França, para em seguida instituí-la novamente. E que não dá para matar uma cultura, uma tradição permitindo a concomitante existência da liberdade de expressão. A pretensão revolucionária de reformar o mundo é um aspecto comum desse tipo de atitude que não é "burguesa" ou "proletária", mas sobretudo, humana. E essa pretensão de tudo controlar, de tudo reformar, de aniquilar o velho mundo mediante engenharia social é uma constante que verificamos tanto no movimento da França, quanto naqueles de cunho marxista. É a ilusão, ou pretensão de brincar de Deus. Ignorar as motivações e paixões humanas, reduzindo-as todas a aspectos meramente econômicos, é ver só um lado da questão.

Thiago Pacífico disse...

Mário, desculpe pela demora em responder os seus questionamentos, pois eu realmente estive impossibilitado ultimamente, e agora não os farei com maior atenção, só direi duas coisa quanto à questão das guerras capitalistas/socialistas e dos dados apresentados: primeiro que existem sérias divergências quanto a esses números, mas levando-os em consideração, eu não concordo com a inclusão do Maoísmo e, por consequência, do regime de Pol Pot. No tocante à Holomodor, eu não tenho uma leitura para me aprofundar.

O Maoismo não pode ser comparado aos (fracassados) regimes socialistas, isso porque não foram as organizações democráticas operárias/camponesas (como os soviets) que tomaram o poder, expropriando a burguesia. Quem tomou o poder foi um exército armado que, muito embora tenha destruído o regime anterior, não objetivou o extermínio das classes sociais e o monopólio da atividade econômica. O Maoísmo foi um regime militar, autoritário que não fugiu dos parâmetros burgueses, mesmo que quase totalmente destruído. Por isso não se pode incluir esse regime como socialista, muito embora tenha tido essa denominação histórica.

E mesmo reconhecendo as barbaridades dos regimes do socialismo real, eu ainda vejo um certo avanço nesse forma de sociabilidade, isso porque eles não tinham como objetivo a dominação econômica de outros países. Assim como as potências capitalistas, os socialistas, também tinham a necessidade de dominar política e ideologicamente outros países. A diferença é que as potências capitalistas precisam fazer guerra para dominarem a economia de outros países, precisam expandir seus negócios e explorar a classe trabalhadora dos países emergentes, os socialistas não, eles tendem a se fortalecerem juntos, tanto é que a URSS praticamente trocava petróleo por bananas e charutos com Cuba, e o mesmo fez com a Coréia do Norte por gêneros agrícolas, o resultado foi a satisfatória qualidade de vida desses países: cuba tem um sistema educacional e de saúde bastante salutar, diferentemente de outros países da América Central dominados pelos EUA.

Concordo com o título desse tópico de que não se troca a liberdade pela igualdade, mas no caso cubano, a questão foi a troca da liberdade pela vida daquelas pessoas. Vale lembrar de inúmeras guerras atuais que tem inegáveis pretensões econômicas. Além do mais, mesmo existindo abundância de alimentos hoje, existem muitas pessoas que morrem de fome, e isso faz parte da lógica capitalista.

LIBERTATUM disse...

Caro Adrualdo,

Fiz hoje uma homenagewm ao seu blog. Para conferir, acesse: http://libertatum.blogspot.com

Abs

Klauber

Adrualdo Catão disse...

Conferido e agradecido!

Abraços!

Cavaleiro do Templo disse...

Olá a todos

Vou pegar um trecho da fala de um dos colegas internauta que diz assim:

"...O título já sugere que qualquer forma de sociabilidade que busque a igualdade, redundará na eliminação das liberdades...".

É isto mesmo, está correto. Digo, para criar a igualdade (sim criar, pois ela não pertence a este planeta, nenhum tipo de igualdade, quer seja material ou não) é preciso criar antes um regime de verificação constante da igualdade, um sistema que impossibilite que a "desigualdade", condição básica de todas as criaturas multicelulares na Terra, volte a imperar.

A menos que aquilo que se chame igualdade seja interpretado por "tirar de uns e dar para outros" e, depois, sair de fininho apregoando que uma grande coisa foi feita.

Pensando em um caso prático, a imposição da igualdade material: uma sociedade tornou-se, através de um grupo com poder desigual (o que já desmente por completo as propostas igualitárias), com o poder de impor a sua vontade, mais "igual". Todos possuem a mesma quantidade de dinheiro, a mesma quantidade de tomates, alfaces, casa, roupas, tudo igual. Lembremos do nome, que não admite margem folgada de interpretação: a coisa toda é a IGUALDADE. Pois bem, acontece que eu quero trocar meus tomates por alface e encontro uma pessoa que quer se livrar de suas alfaces e adora tomate. Fechado o acordo, temos o que (de novo) estabelecido? A DESIGUALDADE (prefiro a não-igualdade). Se os mestres do regime não quiserem a volta da condição normal, impedirão a troca. Se não impedirem, então queriam apenas dar uma de Robin Hood. Para continuarem no poder terão que IMPOR a igualdade de baixo para cima, como sempre acontece em países onde este delírio (igualdade) tornou-se coisa política.

Parabéns Adrualdo.